ensaio cientifico - o fraco acompanhamento do uso das TICs na Escola Secundaria de Tete
O fraco acompanhamento do uso das TICs na Escola Secundária de Tete- caso 2023
Autora: Carolina Amândio Nhamposse[1]
Docente: Professor Doutor Felisberto Félix Singo[2]
Resumo
Este ensaio é resultado de uma observação minuciosa do uso das Tecnologias de Informação e Comunicação na Escola Secundária de Tete, do tipo A, aos professores, em especial. A investigação teve como objetivo reflectir sobre o uso das ferramentas de tecnologia. Para tal, recorremos à pesquisa bibliográfica para descrever a relevância das Tecnologias de Informação e Comunicação no ensino secundário geral, seguida da indicação das implicações do fraco acompanhamento do uso dessas tecnologias de informação e por consideramos que o fraco acompanhamento do uso das TICs, baseada na realidade vivenciada na escola Secundaria de Tete, prestado aos professores constitui um paradoxo às políticas definidas no Plano Estratégico da Educação 2020-2029. Sublinhamos de igual forma, as conclusões alcançadas pelas pesquisas de SANCHO (2009), MATAVELE e COSTA (2005) que enfatizam as implicações negativas do fraco acompanhamento ou monitoria do uso das tecnologias de informação, aos professores, na qualidade de ensino, em particular no ensino secundário geral.
Palavras-chave: Uso das Tecnologias de Informação e Comunicação, ensino secundário, professores.
I. Introdução
Realmente as Tecnologias da Informação e Comunicação caracterizam-se como instrumentos, físicos e digitais, indispensáveis para o desenvolvimento das sociedades. Desta feita, a educação vem aos poucos absorvendo todos esses novos conhecimentos em longos caminhos que foram percorridos ao passar do tempo o que culminou com a incorporação da disciplina de TICs no ensino secundário geral.
A introdução das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), como disciplina curricular, no ensino secundário em Moçambique, é relevante e constitui um dos aspectos inovadores do currículo do Ensino Secundário Geral como resposta aos desafios da globalização tecnológica e a responder às aspirações da nossa sociedade no sentido de formar um cidadão responsável, activo, participativo, digitalizado e empreendedor (INDE, 2007).
O presente ensaio visa fazer uma reflexão minuciosa do uso das TIC’s na educação moçambicana, na Escola Secundária de Tete, que culmina com a necessidade, constante que os professores, por serem emigrantes digitais, apresentam no uso das ferramentas tecnológicas para melhor orientar, incentivar o uso dessas tecnologias aos seus alunos, de quem depende o futuro desta nação, os quais são convidados, com urgência, pela demanda da globalização a aderir e fazer uso da TICs no seu dia-a-dia.
Refira-se que este ensaio baseou-se na observação dos factos e colecta de informações orais, dos professores e alunos da Escola Secundária de Tete e na pesquisa bibliográfica que elucida a essência das Tecnologias de Informação e comunicação e o papel do professor na implementação e motivação do uso das TICs assim como nas implicações do fraco acompanhamento do uso das mesmas no processo de Ensino e aprendizagem.
Este ensaio apresenta a seguinte estrutura: o resumo, antecedido pelo tema que intitula este ensaio cientifico “O fraco acompanhamento do uso das TICs na Escola Secundária de Tete- caso 2023” , seguido pela introdução, fundamentação teórica referente ao uso das Tecnologias de Informação e Comunicação, e inerente às implicações do acompanhamento, aos professores, do uso das tecnologias, seguida das considerações finais e indicação das fontes bibliográficas que nutriram o nosso ensaio.
II. O uso das Tecnologias de Informação e comunicação no ensino Secundário
Conforme referenciamos, na nossa nota introdutória, a implementação da disciplina de Tecnologias de Informação e Comunicação no Ensino secundário é real e revela-se com a sua incorporação no Plano Estratégico Educacional 2020 – 2029, que prevê, também, a “[…] aquisição de um computador, no ensino primário, por escola para cada 20 (vinte) escolas anualmente e no Ensino Secundário, serão adquiridos 25 computadores por cada 20% das escolas anualmente” (PEE, 2020, p. 173).
Compreendemos que, nestes termos, a ser implementado, é evidente o défice de computadores face ao número de alunos, aproximadamente 100 alunos na escola secundária de Tete, por exemplo, e face às necessidades pedagógicas do uso das TICs no processo de ensino-aprendizagem. Este défice, já é notório nesta instituição em que 4-5 alunos se juntam em um computador para colocar em prática o uso das ferramentas.
De acordo com MATAVELE (2002), a revisão curricular do Sistema Nacional de Educação tem como prioridades o aumento do acesso escolar, a melhoria da qualidade de ensino e a formação de professores.
Doravante, é fundamental que os professores tenham atitudes positivas face à utilização das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), para garantir a efetiva integração das mesmas no processo de ensino-aprendizagem.
Perante este contexto, procuramos compreender as implicações do acompanhamento do uso das TICs.
III. As implicações do fraco acompanhamento do uso da TICs
Reconhecendo o contributo da utilização das TICs para a inovação pedagógica e curricular, principalmente no ensino secundário e no dinamismo das Politicas educacionais, verificamos muitas mudanças na organização do ensino decorrentes da incorporação e integração pedagógica das TIC’s ao ensino Moçambicano.
Entretanto, SANCHO (2009) sublinha que para que essas mudanças se materializem faz-se necessário a existência de uma série de factores que corroboram para o sucesso ou fracasso desta iniciativa e que são descritos pela:
“(…)Existência de um projecto institucional que impulsione e avalize a inovação educativa utilizando tecnologias informáticas; A dotação suficiente e adequada da infra-estrutura e recursos informáticos nas escolas e salas de aula; (…)e a configuração de equipas externas de apoio aos professores e às escolas destinadas a coordenar projectos e facilitar soluções para os problemas práticos.”
Infelizmente, os factores descritos acima ainda não são evidentes, na escola em estudo, o que se reflete num fraco acompanhamento, e consequentemente, os professores que, pela necessidade digital usam algumas ferramentas tecnológicas, com recurso pessoais, preendem-se com a falta de apoio externo e ou interno para impulsionar o uso das TICs dentro e fora da sala de aulas.
Outrossim, concordamos com o pensamento de COSTA que sublinha que a formação dos professores deve ter em conta a mudança de atitudes dos professores face as TICs e o seu potencial para o uso das mesmas em contexto educativo.
IV. Considerações finais
Neste âmbito, percebemos que o governo precisa, urgentemente, redobrar esforços para colocar em prática as medidas descritas no Plano Estratégico, em execução, para minimizar o défice, em infraestruturas, físico e digital, das ferramentas de tecnologia. Do mesmo modo, os professores precisam de se esforçar, mais, para acompanhar o desenvolvimento contínuo das TICs e de estar preparados para desempenhar as suas funções e reflectir sobre a introdução de novas estratégias de ensino-aprendizagem com recurso à utilização destas tecnologias.
De igual modo, concluímos que as novas tecnologias que se fazem presentes no ensino/escolas Moçambicanas, devem ter como propósito a contribuição com a qualidade do ensino, pois se constitui em ferramentas que devem auxiliar no processo pedagógico. Também, estamos cientes que o sucesso educacional não se concentra apenas nas ferramentas metodológicas utilizadas, pois somente a presença da tecnologia não basta, mas o professor deve estar presente neste processo pedagógico como orientador e mediador
V. Referências bibliográficas
COSTA, A. Fernando at al. As TIC na Educação em Portugal. Porto-Portugal;
INDE, Plano Curricular do Ensino Secundário Geral. Maputo, 2007.
MATAVELE, Utilização das TIC pelos Professores de Ciência da Cidade de Maputo, disponível em: repositorio.ul.pt, acesso em: 14 de Abril de 2023.
MINEDH, Plano Estratégico da Educação 2020-2029. Por uma educação inclusiva, patriótica e de qualidade. Maputo. 2020.
SANCHO, Hernandez, Tecnologias Para Transformar a Educação, disponível em: www.scielo.br, acesso em: 10 de Abril 2013.
[1] Mestranda em Administração e Gestão Escolar na UNIPUNGUE- Extensão de Tete, licenciada em Ensino de Língua Portuguesa com habilitações em Inglês pela extinta Universidade Pedagógica-Tete, docente em exercício na Escola Secundária de Tete.
[2] Actualmente, é docente e pesquisador na Universidade Licungo- Quelimane. Doutorado pela Universidade Técnica de Dresden, pós- doutorado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, UFRGS, Brasil.
Dra. Nhamposse. Com este teu ensaio, eu só fiquei a ganhar, aprendendo. Muitos parabéns.
ResponderEliminarQue Leitura prazerosa! Espero que escreva mais coisas e poste neste Blogspot.
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